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nn5n: scp-3008 Um IKEA Comum e Perfeitamente Normal
EuclidSCP-3008 Um IKEA Comum e Perfeitamente NormalRate: 585
SCP-3008

Item n°: SCP-3008

Classe de Objeto: Euclídeo

Procedimentos Especiais de Contenção: O terreno onde SCP-3008 é contido foi comprado pela Fundação e convertido no Sítio ██. Todas estradas públicas que vão para ou passam pelo Sítio ██ foram redirecionadas.

A entrada de SCP-3008 deve ser monitorada a todo momento, e ninguém deve entrar em SCP-3008, exceto durante testes, conforme permitido pelo Pesquisador Sênior.

Humanos que saiam de SCP-3008 devem ser detidos e interrogados antes de administração de amnésticos. Dependendo da duração de sua estadia em SCP-3008, uma história falsa deve ser gerada para antes de serem soltos.

Quaisquer outras entidades saindo de SCP-3008 devem ser exterminados.

Descrição: SCP-3008 é um grande pedaço de terra anteriormente sob a posse de IKEA, uma rede de lojas de móveis popular. Uma pessoa que adentra SCP-3008 pela entrada principal e perde visual das portas irá ser translocada para SCP-3008-1. O deslocamento tipicamente não será notado já que nenhuma mudança ocorrerá na perspectiva da vítima; normalmente não notarão até que tentem retornar para a entrada.

SCP-3008-1 é um espaço que lembra o interior de uma loja de móveis IKEA, se estendendo muito além dos limites do que poderia ser fisicamente contido dentro do terreno. Medidas atuais indicam que trata-se de uma área de pelo menos 10km2 sem qualquer limite visível em qualquer direção. Resultados inconclusivos do uso de telêmetros a laser levaram-nos a especular que o espaço talvez seja infinito.

SCP-3008-1 é habitado por um número desconhecido de civis aprisionados antes da contenção. Dados coletados sugerem que eles formaram uma civilização rudimentar dentro de SCP-3008-1, incluindo a construção de assentamentos e fortificações com o propósito de se defender contra SCP-3008-2.

SCP-3008-2 são entidades humanoides que existem dentro de SCP-3008-1. Embora lembrem superficialmente humanos, possuem proporções corporais exageradas e inconsistentes, geralmente descritos como sendo muito baixos ou muito altos. Eles não possuem nenhuma característica facial e em todos casos observados, vestem uma camisa amarela e bermudas azuis, condizentes com o uniforme dos funcionários do IKEA.

SCP-3008-1 possui um ciclo rudimentar de dia e noite, determinado pela iluminação no teto acendendo e apagando em períodos consistentes com as horas de abertura e fechamento da loja original. Durante a "noite", instâncias de SCP-3008-2 vão se tornar violentas à todas outras formas de vida dentro de SCP-3008-1. Durante esses surtos de violência, eles já foram relatados vocalizando frases em Português que são geralmente variações de "A loja já fechou, por favor, saia do estabelecimento". Uma vez que o "dia" começa, instâncias de SCP-3008-1 imediatamente se tornam passivas e começam a vagar por SCP-3008-1, aparentemente de forma aleatória. Eles não respondem a questionamento ou outras comunicações verbais nesse estado, porém vão reagir violentamente se atacados.

Sabe-se que SCP-3008-1 possui uma ou mais saídas localizadas em seu interior, no entanto essas saídas não aparentam ter uma posição fixa, tornando o ato de deixar SCP-3008-1 difícil uma vez que se entra. Usar qualquer outra porta além da entrada principal para entrar na estrutura ou forçando um caminho pelas paredes do estabelecimento acaba levando para um interior não-anômalo da loja original.

Desde o início de contenção, 14 indivíduos conseguiram deixar SCP-3008. Após interrogatórios extensivos, a todos foram administrados amnésticos antes de serem liberados.

Incidente 3008-1: Às 00:37 em ██/██/200█ um homem deixou SCP-3008, sendo seguido 10 segundos depois por uma instância de SCP-3008-2. SCP-3008-2 alcançou e matou o homem antes de ser exterminado por funcionários armados. Esse incidente se trata da única vez que uma instância de SCP-3008-2 foi vista deixando SCP-3008. Uma autópsia completa do corpo foi realizada; veja Registro de Autópsia 3008-2 para mais detalhes.

O homem estava carregando um diário da marca IKEA, aparentemente para documentar suas experiências em SCP-3008-1, transcrito abaixo.

Então, eu estou escrevendo para documentar o que eu só posso imagina quer seja minha súbita queda para a insanidade. Eu não posso ser um navegador TÃO ruim assim, no entanto, enquanto escrevo isso, eu já estou preso no Ikea por 2 dias. Eu não vi nenhuma outra pessoa nesse tempo todo que estive aqui. Primeiro eu pensei que fosse uma pegadinha. Transformar um lugar num labirinto, tirar todo mundo e ver em quanto tempo eu me perco, depois todo mundo daria risada. Percebi que não era o caso quando tentei voltar pelo mesmo caminho. Tudo tinha mudado, então acabei me perdendo. Ao invés da saída, só tinha fileira depois de fileira de prateleiras.

Então, eu estou preso no Ikea. Parece o começo de uma piada ruim. As luzes apagaram às 10pm. Quase tive um ataque cardíaco, aquele som de PAM alto e elétrico, e então, completa escuridão. O lugar tá cheio de camas pelo menos e meu celular tem uma lanterna - mas sem droga de sinal - então eu achei uma cama e fui dormir. Passei a maior parte do dia seguinte tentando achar a saída, sem sorte. Mas achei um restaurante servindo umas almôndegas, então pelo menos não vou morrer de fome. Isso provavelmente seria o fim daquela piada. De qualquer forma, elas ainda estavam quentes, mas não vi ninguém por perto que poderia tê-las preparado. Fiz o caminho de volta para as camas antes das luzes apagarem de novo, já que fica muito escuro pra explorar com elas desligadas.

São 9:10am agora, as luzes voltaram tem um tempinho. Tenho certeza que já procurei por toda área de onde eu vim e a saída obviamente não está aqui, então eu vou escolher uma direção e torcer pro melhor.

Dia 3 da minha aventura misteriosa no Ikea mágico. Se eu ainda não tivesse certeza de que tem algo seriamente esquisito com esse lugar, agora eu tenho. Andei por 3 horas por mais ou menos uma linha reta (insira a piada de Ikea aqui) antes de me deparar com uma escada próxima de uma daquelas prateleiras enormes de estoque. Escalei pra olhar ao redor, e parece que esse lugar se estende pra sempre. Tipo aquela cena do Rei Leão, exceto que ao invés de árvores e gramas, eram só prateleiras e mesas e tal. Eu vi uma pessoa se mexendo não muito longe no entanto, então fui pra lá.

Primeiro tinha pensado que fosse um funcionário - estava usando o uniforme. - e talvez fosse mesmo, talvez monstros medonhos de 2 metros, com braços enormes, pernas curtas e sem rosto são exatamente o tipo de coisa que eles queiram que trabalhem no Super Ikea. Mas aquela porra me ignorou completamente, e sem olhos ou ouvidos eu nem posso ter certeza se sequer sabia que eu estava ali. Pensei em dar um empurrão ou algo assim pra chamar sua atenção, mas as mãos eram grandes o suficiente pra esmagar uma melancia então decidi não fazer isso. Ele só continuou a caminhar e eventualmente eu perdi ele de vista, então resolvi continuar o que eu estava fazendo.

De qualquer forma, sem cama confortável pra mim hoje. Parece que eu entrei na seção de Mesas Pontudas e Improvavelmente Duras. Acho que vou ter que me virar com alguns forros de mesa dobrados. A bateria do celular morreu durante o dia também. Não funcionava mesmo, mas agora eu me sinto como se tivesse perdido um órgão vital.

Você já viu um daqueles desenhos onde eles ficam entrando em portas num corredor e só acabam saindo de outra porta no mesmo corredor? É assim que eu me sinto nesse momento. Eu não vi nada além da mesma prateleira idêntica por 2 dias. Só fileira depois de fileira delas. Quer dizer, qualé. Eu amo livros tanto quanto qualquer um, mas isso é demais. Mas eu obviamente estou andando pra frente, eu consigo ver as placas penduradas no teto mudando. Uma pena que nenhuma delas diz "Saída".

Não tenho certeza de pra quem eu estava fazendo aquela pergunta. Vamos dizer que estou praticando pra minha autobiografia que eu vou escrever quando sair daqui. Vou chamar de "Minha viagem perfeitamente normal pra um Ikea comum".

Se eu sequer conseguir sair daq

Finalmente achei gente aqui! É, pelo visto eu não sou o único coitado preso nesse lugar. Bom pra mim, eu acho. Minha sexta noite aqui, dois daqueles funcionários esquisitos vieram até mim no escuro. Diferentes dos que eu vi antes, mas esquisitos mesmo assim. Ouvi eles chegando, eles estavam dizendo que a loja estava fechada e que eu tinha que deixar o estabelecimento, todos formais e educados. Eu não sei que parte foi mais estranha, que eles não tinham bocas ou que estavam aparentemente tentando me matar enquanto falavam. Vieram até mim como cães raivosos.

Então, eu dei o fora. Correndo pelo ikea no escuro que nem um maluco. Eu vi uma coisa quando cheguei em outra fileira daquelas prateleiras gigantes de estoque, todas iluminadas com abajures e lâmpadas. Eles construíram uma cidade inteira aqui! Tinham um muro enorme feito de prateleiras e camas e mesas e qualquer outra coisa. Eu juro por deus que era a coisa mais linda que eu já vi. De qualquer forma, acho que eles me viram chegar (ou talvez ouviram meus gritos de mulherzinha machões de medo), porque eles tinham aberto o portão e haviam 2 pessoas acenando pra eu entrar. Ouvi aqueles funcionários baterem no portão atrás de mim depois que fechou, ainda educadamente nos informando de que a loja havia fechado. Mas eles eventualmente nos deixaram em paz.

Eles chamam a cidade de Troca, porque é o que diz na placa pendurada diretamente acima dela. Troca e Devoluções. Toda iluminada na noite com luzes que eles encontraram e ligaram nas fiações. E havia camas e comida e pessoas. Mais de 50 pessoas maravilhosas com membros normais e kits completos de características faciais. Agora já é minha sétima noite aqui, e a primeira que eu não passo na escuridão. Uma semana inteira vivendo no Ikea. Deve ter um programa de TV disso em algum lugar.

Agora que eu estou cercado de gente, comecei a me sentir mais normal. Talvez normal não seja a palavra. Mas depois de uma semana com apenas o som dos meus passos pra me fazer companhia, eu estava com cada vez mais certeza que tinha embirutado. Que eu estava amarrado em alguma sala acolchoada em algum lugar, batendo minha cabeça na parede. Mas não, me sinto muito são e salvo e forte, obrigado!

Aparentemente têm mais cidades por aí. Algumas com mais pessoas, algumas com menos. Eu achei isso levemente inacreditável - quantas pessoas podem desaparecer sem ninguém notar. Com certeza alguém teria notado que todo mundo que vai pro ikea some do mapa. Ou talvez não seja todo mundo. Talvez nós sejamos os sortudos.

As pessoas aqui só chamam aqueles funcionários estranhos de Funcionários. Aparentemente eles tão de boa durante o dia, tomando conta da vida deles e caminhando pelas alas. Mas assim que as luzes apagam, eles enlouquecem. Então durante o dia as pessoas saem pra procurar comida, água e tudo que precisarem. Aparentemente há restaurantes e lojas por aí que são aleatoriamente preenchidos. Ninguém sabe como. Talvez os funcionários estejam por trás disso. Aparentemente eles não são muito bons nos seus trabalhos porque o reabastecimento algumas vezes demora um pouco,

o que significa que a comida tem de ser racionada. Talvez se eles não estivessem muito ocupados perseguindo as pessoas no escuro eles seriam mais eficientes.

De qualquer forma, quando a noite chega os funcionários ficam malucos e todo mundo se protege dentro dos muros. Aparentemente acontece o mesmo em todo lugar nessa loja, o que quer que ela seja. O Ikea pai, criador de todos os outros Ikeas. Ou talvez todo nós ainda estamos num ikea comum e isso é só alguma histeria coletiva trazida a nós por um tédio inacreditável. Quem sabe.

Estive aqui por 10 dias já. A maioria das pessoas que eu perguntei disseram que eles pararam de contar há muito tempo e um cara, Chris, disse que ele esteve aqui por anos.

Anos.

[RABISCOS ILEGÍVEIS]

Aparentemente há rumores de pessoas que conseguem sair. E de pessoas que vêem a saída, só pra ela desaparecer diante de seus olhos. Eu tenho a impressão de que nem todo mundo acredita nisso, mas eu acredito. Explica como ficamos presos aqui em primeiro lugar (mais ou menos). E, quero dizer, qualé.Funcionários monstros, fileira após fileira interminável de móveis Suecos de alta qualidade. Eu não sei porque eles achariam uma porta que desaparece tão difícil de acreditar.

De qualquer forma, eu fui caçar comida em uma loja aqui perto com a Sandra e o Jerry hoje.

Depois que você aprende os pontos de referência desse lugar não é tão difícil de navegar. As placas no teto ajudam bastante, mas há outros; não muito longe no horizonte uma grande quantidade dessas prateleiras de estoque gigantes colapsaram umas nas outras e bem longe no leste (nós achamos que é o leste - aparentemente Ikea não vende bússolas) tem uma espécie de torre que parece que é feita de madeira, que chega até o teto. Talvez eles estivessem tentando quebrar o teto pra fazer uma saída. Acende de noite então deve ter gente lá, mas aparentemente está a alguns dias de viagem de distância (o que significa que deve estar a quilômetros de distância) então ninguém aqui sabe dizer. Aparentemente eu tive muita sorte dormindo no nada por uma semana sem ser despedaçado pelos funcionários. Sim, esse sortudão aqui, sorte sorte sorte.

Achamos comida na loja. Acho que os funcionários reabastecem durante a noite, gentil da parte deles. Tinha um telefone na parede, então pensei: por que não? Tinha uma voz do outro lado, mas só tava falando besteira. Palavras aleatórias colocadas juntas sem significado algum. Já viram algum vídeo de alguém com afasia? Parecia com isso. Não me respondia quando eu falava de qualquer jeito. Sandra diz que todos os telefones aqui são a mesma coisa.

Opa, fazendo perguntas pro diário de novo!

Eu estivesse pensando noite passada. O teto nesse lugar é muito alto e até onde a gente sabe é infinito. Não devia ter algum tipo de clima aqui? Tenho certeza de que li algo sobre um prédio da NASA que era tão grande que tinha os próprios padrões de clima, com nuvens e tal. Esse lugar é definitivamente maior que aquilo, mas agora que parei pra pensar eu tenho quase certeza que nunca senti nenhuma mudança de temperatura aqui.

Vou adicionar isso pra Grande Lista de Paradas Esquisitas.

Os funcionários atacaram Troca noite passada. Deviam ter 20 ou 30 deles todos dizendo pra deixarmos a loja, calmos como sempre, enquanto tentavam destruir os muros com as mãos nuas. Aparentemente isso acontece regularmente, então todos estão preparados. Facas dos restaurantes, lâminas de cortadores de gramas transformados em machadinhas, um machado de bombeiros. Um cara, Wasim, conseguiu fazer uma besta que funciona. De qualquer forma, os muros tem buracos neles, que eu não havia notado antes, especificamente pra podermos furar os funcionários quando eles atacam. Matei alguns eu mesmo. Eles não parecem sangrar, o que é estranho, mas morrem tão fácil quanto uma pessoa normal quando você começa a abrir buracos neles.

Tivemos que transportar os corpos pra longe de manhã. Aparentemente os funcionários mortos atraem mais deles durante a noite, então tivemos que tirar eles de Troca. Nós temos alguns daqueles carrinhos que eles usam pra transportar caixas por aí, então lotamos eles de corpos e levamos eles pra Coleta. Aparentemente as pessoas só chamam tudo aqui do que estiver na placa acima.

Coleta tava grotesco. Havia centenas, talvez milhares de funcionários mortos todos empilhados. Não tinha cheiro, o que era uma benção. Aparentemente além de não sangrarem, aquelas coisas não apodrecem também. Minha curiosidade tomou conta enquanto estávamos descarregando eles, então dei uma olhada naqueles mais cortados. Eles são só pele, ou algo que parece pele, no corpo inteiro. Sem músculos, sem ossos, sem órgãos. Eles sequer estão vivos? Eles certamente parecem ter ossos quando estão se movendo por aí, batendo nos muros. E tenho certeza que senti mais resistência do que só pele quando enfiei a faca noite passada. Talvez algo aconteça com eles quando morre. Só mais uma coisa pra lista infinita de Merdas Esquisitas que acontecem aqui, eu acho.

Percebi uma coisa, depois que os funcionários atacaram noite passada. Sempre que você vê uma situação como essa na TV ou em um filme, como se fosse o fim do mundo ou todos estão presos numa ilha e tal, assim que grupos como o nosso começam a se formar as pessoas sempre se voltam umas contra as outras. Lutando por comida ou liderança ou qualquer outra coisa. Isso não aconteceu aqui. Aparentemente as pessoas de outras cidades vêm de tempos em tempos, só pra dar uma olhada ou ocasionalmente trocar se lhes falta algo. Mas sempre é cordial. Amigável, até. Talvez seja a ameaça dos funcionários, ou talvez o reabastecimento constante de suprimentos nas lojas significa que não tem muito porque lutar.

Talvez os seres humanos sejam melhores do que gostem de se retratar. Isso é um pensamento bonito. Eu acho que vou ficar com essa teoria.

Uma dúzia de pessoas apareceu nos portões essa tarde de uma cidade chamada Carrinhos. Aparentemente os funcionários passaram pelos muros deles e destruíram a cidade durante a noite. Esses 12 foram os únicos sobreviventes de mais de cem. Deixamos eles entrar, obviamente. Mais um ponto pra decência humana. Mais tarde, eu perguntei se alguém sabia quantas cidades dessas existiam por aí. Entre nós e o pessoal novo, conseguimos chegar a pouco mais de 20 nomes. 20 cidades lotadas de gente, e quem sabe quantas mais além disso.

O lema desse lugar devia ser "Como Isso É Sequer Possível". Com certeza alguém, em algum lugar deve estar procurando pelas milhares de pessoas que estão aqui.

Já estive aqui por pouco mais de 2 meses. Nada mudou muito, pelo que parece. Algumas pessoas novas apareceram, mesma história que o resto de nós. Viagem normal pro Ikea e de repente estão presos no Instituto Billy pra Malucos Sem Rosto. Os funcionários atacam Troca uma ou duas vezes por semana. Nós os matamos e levamos os corpos embora, algumas vezes eles machucam alguns de nós primeiro. Mataram um cara chamado Jared algumas semanas atrás. Foi horrível, francamente. Parece que pessoas comuns ainda sangram aqui, mesmo que os funcionários não. Demos o nosso melhor, mas nenhum de nós é médico.

Jared era um cara legal. Ele merecia melhor. Todos merecemos.

Percebi alguns dias depois, que nenhum de nós está realmente procurando pela saída desse lugar. Eu nem sei por onde começaríamos.

Um desses drones com uma câmera passou por Troca hoje. Eu pensei que significava que alguém finalmente estava procurando por nós, que a ajuda estava a caminho. Aparentemente não é a primeira vez que isso acontece, no entanto. A mesma coisa aconteceu alguns meses atrás, e todos ainda estão aqui.

Não faço ideia se viu a gente, mas se viu, não parou. Só continuou voando até não podermos mais vê-lo.

Nota: Baseado na época de resgate do diário, essa entrada aparenta bater com aproximadamente nosso primeiro teste pilotando um drone dentro de SCP-3008-1. Análise da gravação mostra um assentamento fortificado embaixo de uma placa escrita "Troca e Devoluções". Tentativas de localizar novamente o assentamento falharam. Origem dos drones anteriormente avistados é desconhecida.

Eu comecei a conversar com as pessoas sobre o que elas sentem falta de casa durante o jantar hoje. Provavelmente não foi a melhor ideia que eu tive, todos pareciam bem deprimidos depois. Várias pessoas aqui têm famílias. Maridos e esposas, filhos. Cachorros. Franklin aparentemente tinha uma Lhama de estimação, mas não acredito muito nele.

Mas aparentemente algumas pessoas aqui têm vãos estranhos no conhecimento. 3 deles nunca ouviram falar da Estação Espacial Internacional, 2 deles pareciam achar que █████ ███████ era o Primeiro Ministro, e um deles aparentemente nunca havia ouvido falar da Estátua da Liberdade. Eu acredito neles, também. Eles pareciam tão confusos quanto o resto de nós.

Mas quanto mais eu pensava nisso, mais começava a explicar algumas coisas. E se o motivo de ninguém estar procurando por todas essas pessoas desaparecidas é porque não viemos todos do mesmo lugar. Isso vai soar estranho (talvez isso deveria ser o lema desse lugar) mas e se todas as pessoas aqui vieram de dimensões diferentes? Realidades? Chame do que quiser. Eu já vi programas de televisão o suficiente pra saber do assunto. Sarah vem de um lugar onde não há Estátua da Liberdade. Eles não lançaram uma estação espacial de onde o Wasim vem. Se todos aqui viessem de lugares diferentes, mesmo os que pareçam idênticos, não haveria um pânico de um grande número de desaparecidos. Nenhuma busca em massa. Seríamos apenas um pontinho, uma única pessoa desaparecida num mundo de notícias sem fim.

Bem. Isso foi um trem de pensamento divertido.

Acabei de perceber que ontem foi o aniversário de seis meses desde que cheguei aqui. Eu me pergunto se tem chapéis de aniversário no Ikea. A rotina aqui continua mais ou menos igual. Mais pessoas novas aparecem, uma a cada período de algumas semanas ou algo assim. Estoques de comida sobem e descem, mas nunca tivemos uma falta preocupante. Ocasionalmente temos um visitante de cidades vizinhas, geralmente Pagamentos ou Ala 630. Nós checamos uns com os outros de tempos em tempos, ocasionalmente trocamos suprimentos se alguém tiver com falta de alguma coisa. É confortante, de certa forma. Um lembrete de que não estamos sozinhos aqui, uma pequena faísca de civilização. Algumas vezes eles trazem suprimentos médicos. Aparentemente tem uma farmácia a algumas cidades além de Pagamentos que é reabastecida de vez em quando, então eles compartilham o que podem. Nunca ouvi falar de um Ikea com farmácias antes mas neste ponto eu não ficaria surpreso se alguém se deparasse um com um Laboratório Ikea de Colheita de Órgãos. Explicaria os funcionários.

Falando dos nossos carcereiro carentes de face, os ataques deles tem piorado ultimamente. 3 ou 4 vezes por semana agora, com duas vezes mais funcionários do que tinha antes. Não faço ideia de onde eles vem, ou porque os ataques têm aumentado. Tentamos seguir um deles durante o dia algumas semanas atrás, eu e Sarah. Queríamos ver se eles iam até uma sala de funcionários ou algo assim. Mas não parecia ir a lugar algum, só caminhando aleatoriamente pelas alas. Tivemos que voltar sem ter encontrado nada.

Estivemos fortalecendo os muros, tentando nos armar melhor. Certamente não faltam materiais pra usar. Wasim esteve fazendo mais bestas, mas demora bastante.

Uma pena não ter armas no Ikea.

Nota: Nenhum funcionário novo entrou em SCP-3008 no Sítio ██ durante o tempo indicado nessa entrada.

Os ataques estão ficando ruins agora. Quase toda noite, e com tantos funcionários que os corpos quase se empilham o bastante pros outros escalaram os muros. Eu acho que estamos com problemas aqui.

Troca foi

Eu acho que Troca já era. Tomamos uma bem ruim noite passada. Sem muitas mortes, mas o muro foi devastado. Finalmente descobrimos porque os ataque haviam aumentado, também. Uma caixa de suprimentos tinha um pedaço de um funcionário dentro. Não sei como como foi parar lá mas aparentemente um pedaço deles vai atraí-los tanto quanto um corpo inteiro. Tarde demais de qualquer jeito, tem muitos corpos pra gente transportar e sobrar tempo pra consertar o muro antes de anoitecer. Candance convocou uma reunião. Eu suspeito que será sobre abandonar Troca, talvez tentar conseguir abrigo em Pagamentos ou outra coisa assim.

Mas já está ficando tarde. Não acho que conseguiremos chegar lá. Talvez alguns de nós consigam. Eu sobrevivi naquela primeira semana no escuro, afinal de contas. Mas mesmo assim, o quão sortudo eu posso ser?

Eu só estou escrevendo isso pra dar uma sensação de conclusão, eu acho. Pra mim, ou pra qualquer um que ache isso. Se essa é a última inscrição aqui, eu espero que quem estiver lendo, esteja do lado de fora.

Meu maior medo? Que se eu realmente morrer essa noite, vou só acordar aqui de manhã.

Nota: Esta é a última entrada. Especula-se que enquanto tentava alcançar o assentamento "Pagamentos", ele foi separado do resto de seu grupo por uma instância de SCP-3008-2 e se deparou com a saída.

revisão da página: 1, última edição: 04 May 2020 17:00
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