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nn5n: scp-036-PT Livro de Babel
SafeSCP-036-PT Livro de BabelRate: 2
SCP-036-PT
scplivro.png

Foto da câmara de contenção retirada de SCP-036-PT após o primeiro experimento.

Item nº: SCP-036-PT

Classe do Objeto: Seguro

Procedimentos Especiais de Contenção: SCP-036-PT deve ser mantido um pedestal de aço de 1,60cm com um suporte para livros, envolvido por uma cúpula de vidro fumê blindado, com uma fechadura eletrônica a cartão, podendo ser aberta apenas para procedimentos de manutenção ou experimentos autorizados.

Descrição: SCP-036-PT é um livro com uma capa feita de pedra, de dimensões 15,88 × 23,50 x 08,00 cm, recuperado de uma velha loja de revistas de Porto Alegre, foi identificada quando seu dono a teria anunciado no site estrangeiro de compras, “eBay” como um livro assombrado. O anúncio teve mais de 2 mil acessos, e estranho casos de pessoas sendo diagnosticadas com Astigmatismo no local, despertou o interesse da Fundação que averiguou o anúncio e enviou um agente que visitou o local onde foi confirmado suas propriedades incomuns.

Seu conteúdo difere sempre que é aberto, apresentando um idioma aparentemente aleatório de qualquer época ou lugar. Sujeito que o abre e passa a ler seu primeiro capítulo, corre o risco de comprometer sua habilidade atual linguística e de ter seu idioma nativo ou dominante trocado por algum outro contido em suas páginas.

A composição do livro é feita de:

  • Capa com um anagrama indecifrável até o atual momento.
  • Folha de rosto, onde usuários descreveram a palavra BABEL, escrita em língua diferente a cada uso.
  • Dedicatória, onde se descreve sempre algum verso de outra obra existente, também mudando de conteúdo sempre que é aberto.
  • O sumário vem logo em seguida, porém, leitores alegam ter apenas o primeiro capítulo transcrito nele, e conforme o leitor avança suas páginas, o sumário se atualiza. Vide Adendo III para maiores informações.
  • A apresentação do livro, que é o que vem seguida, é algo ainda sob estudo. Leitores selecionados pela Fundação alegam durante a leitura que não podem comentar o que foi lido, o que dificulta um registro preciso sobre o mesmo. A partir deste ponto, nota-se que é criada certa obsessão por parte do leitor em ler o livro. Tentativas de se registrar esta página em gravações e fotos se mostraram inúteis, já que o material apresentado era de apenas páginas em branco.
  • Começa então o primeiro capítulo do livro. Sempre uma história aleatória em forma de contos sobre acontecimentos misteriosos da humanidade, mantendo sempre a estrutura de 25 frases, 926 palavras, escritas em línguas aleatórias. A veracidade contida nas histórias ainda não pode ser comprovada, devido a insuficiência de materiais para pesquisa.

Quando o sujeito se depara com uma língua que não compreende, a narrativa descrita no livro se apaga, o leitor apresenta os sintomas de Astigmatismo avançado, apesar de não ser comprovado em nenhum exame clinico ou laboratorial, durante um período que varia entre 3 a 6 semanas. Então a visão retorna a seu funcionamento normal, mas todo conhecimento linguístico é perdido e o usuário passa a conhecer com perícia, a língua pela qual falhou em decifrar. Uma vez que a leitura comece, ela não deve ser interrompida em hipótese alguma, pois é confirmado que o livro causa alteração no psicológico e comportamento do leitor, que pode levar a fatalidade se a privação a leitura for duradoura. Suspeita-se que outros efeitos possam ser causados, mas o objeto ainda está sob estudo.

Adendo importante: Se o anagrama da capa do livro estiver escrito alguma palavra em latim, suspender toda e qualquer autorização para experimento, até contato visual que revele a troca do mesmo. Leitores que ignoraram esta regra tiveram sua [REDIGIDO] arrancada pelo livro e perderam completamente sua capacidade de dialogar.

Adendo II/2███ - Experimento I:
Usando como base, os estranhos registros do uso do objeto no local onde foi recuperado, selecionamos ██████, funcionário classe-D, número de série D-72435, poliglota em cinco línguas diferentes, para um teste prático com a finalidade de registrar o conteúdo do objeto em questão. Posicionamos algumas câmeras de alta resolução, um microfone para gravar os registros conforme o sujeito prossegue em sua leitura. Sensores de atividades cerebrais foram instalados no sujeito, bem como o uso de SPECT de perfusão cerebral preparado para avaliação pós-experimento, conforme orientado pelas normas da Fundação. Dr. Egret foi designado para ser o responsável direto pelo experimento.
██████ sentou-se na poltrona que disponibilizamos, e iniciamos os procedimentos:.

Dr.Egret: Teste de som… D-72435 está me ouvindo claramente?

D-72435: Alto e claro.

Dr.Egret: Para registro no sistema, nos diga quais idiomas você é capaz de falar?

D-72435: Alemão, Português, Inglês, Francês e Espanhol senhor.

Dr Egret: É fluente em todas? Qual sua língua nativa?

D-72435: Sou fluente em todas, eu nasci aqui no Brasil senhor, minha primeira língua foi o Português…

Dr Egret: Tudo bem. Consegue ler a capa do livro a sua frente?

D-72435 demora alguns segundos para responder, certa atividade mental aparece nos monitores, demonstrando algum esforço, como se estivesse a resolver um quebra-cabeça.

D-72435: Não reconheço essa palavra senhor, é algum Anagrama?

Dr.Egret: Abra o livro e prossiga, por favor.

D-72435: Tem algo escrito na…. Ba…. B-A-B-E-L, quase não dá pra ler, se não prestar atenção passa batido…

Dr. Egret: Continue… o que mais?

D-72435: Bom senhor, tem algo escrito aqui na outra página… “Guerras vão e vem, mas meus soldados são eternos” é um livro de guerra senhor?

Dr.Egret: Não é conhecido o conteúdo ainda, por isso precisamos que continue por gentileza. Em que língua está escrito o livro?

D-72435: Em português senhor.

Dr Egret: Prossiga. Gostaria de ser informado caso se altere o idioma escrito no livro.

D-72435: Como assim mudar a língua? Este livro não foi traduzido corretamente? De onde é esse livro?

Dr. Egret: Prossiga.

D-72435: … Eu virei a pagina senhor… Sumário… Capítulo um… Guerra de estrelas… eu sabia é um livro fictício de guerra futurística… Odeio ficção científica.

Dr. Egret: Tudo bem continue a ler, por favor, este deve ser um sumário, é importante que nos diga qual são os capítulos posteriores citados na pagina.

D-72435: Nenhum senhor está tudo em branco embaixo. Nunca vi um livro assim…

Dr. Egret solicitou imagens das câmeras para confirmação da afirmação do sujeito, porém as imagens registraram apenas uma pagina totalmente em branco.

Dr. Egret: Prossiga para a próxima pagina.

D-72435 virou a pagina e permaneceu em profunda concentração por 07 minutos e 42 segundos. Durante este tempo, os monitores detectaram uma intensa atividade cerebral, um aumento considerável na produção de adrenalina, não o suficiente para uma situação de perigo real, apenas o montante causado por pequenos surtos de sustos breves. Nenhuma tentativa de comunicação foi respondida e a suspensão do experimento foi levada em consideração. Ao solicitar que D-72435 deixasse a câmara de contenção, a comunicação foi restabelecida com o sujeito.

D-72435: Vou continuar a leitura…

Dr. Egret: Isso sou eu que decido e digo que vamos parar. Feche o livro e aguarde o agente que irá leva-lo de volta a sua cela.

D-72435: Por favor. Eu preciso continuar. Vai ficar interessante… e… e eu tenho que continuar…

Dr. Egret: Você ficou cerca de dez minutos sem se comunicar, pode nos dizer o que estava lendo?

D-72435: Eu vou saber o que aconteceu aquele dia em Varginha… Eu não posso parar agora senão…

Agente [REDIGIDO] entrou na câmara de contenção e retirou o sujeito de perto do livro, que ofereceu bastante resistência. Não se sabe ao certo o que leu e o quanto leu de SCP-036-PT durante os minutos que ficou sem se comunicar com os funcionários da Fundação. Durante semanas D-72435 aparentava estar em dificuldades para enxergar e não respondia verbalmente a nenhum comando. Durante a noite, colegas de celas vizinhas alegaram ouvi-lo falando palavras sem sentido, em uma língua estranha, embora nenhuma nenhum registro foi feito pela câmera de sua sala. Dias depois, D-72435 foi encontrado morto em sua cela com uma mensagem em tupi-guarani escrita em sangue na parede, decifrada como “Eu não suportaria viver sem saber a verdade”. A perícia chegou a conclusão que o sujeito cometeu suicídio, engolindo e rasgando a garganta com uma faca de plástico usada pelos prisioneiros para alimentação.

Adendo III/2███ - Experimento I:
Silas Moraes, funcionário da Fundação, formado em arqueologia e professor de línguas na universidade de [REDIGIDO], despertou muito interesse em SCP-036-PT. Ofereceu-se para ser cobaia em um próximo experimento, mesmo ciente dos riscos, assinou termos de responsabilidades e usou como argumento, o fato de por ser membro do corpo de pesquisa, tornaria o experimento muito proveitoso. Silas Moraes estava equipado com câmeras de monitoramento, microfone, aparelhos pra acompanhar seu batimento cardíaco, desempenho cerebral e seu laptop, aberto em um aplicativo tradutor de centenas de línguas existentes para auxiliar sua leitura. Conhecedor de vários idiomas, Silas falava 9 idiomas de forma fluente, e tinha como hobby, traduzir escritas antigas quando o museu [REDIGIDO] recebia alguma peça nova.

Dr. Egret: Recebendo meu áudio professor?

Silas: Alto e claro.

Dr. Egret: Assim que estiver pronto, pode começar a leitura professor. Peço pra que leia em tom médio e próximo ao microfone. Não queremos perder nenhum detalhe.

Silas: De acordo cavalheiros. Não reconheço a cultura pela qual confeccionou esta capa, nunca vi um artefato parecido, mas não aparenta ser antigo…

Dr. Egret: professor, sem querer ser rude, pois estamos felizes com sua colaboração, a Fundação já estudou esta parte e tiramos nossas conclusões, apenas gostaríamos de sua ajuda para traduzi-lo.

Silas: Compreendo, então vou começar.

Silas descreveu o livro de forma semelhante ao leitor do experimento anterior. A palavra BABEL estava contida, mas o ditado de Tupac foi substituído por um de Paulo Coelho: “Quantas coisas perdemos por medo de perder”.

Dr Egret: Não era pra supostamente estar escrito isto. Confirme a leitura professor.
Silas: Confirmo. Era esperado alguma outra coisa?

Dr. Egret: Bom, acho que sim. Mas isso pode ser uma quebra de padrão talvez. Pode continuar por gentileza.

O sumário continha apenas um único capítulo, nomeado como “Manuscrito 512”. Professor Silas fez uma breve pausa, como se estivesse procurando algo dentro de sua cabeça, e então virou a pagina. Seu rosto parecia agora estar afundado em uma profunda concentração. Nossos monitores detectaram o aumento da atividade cerebral, mas o silêncio foi quebrado em menos de quatro minutos de leitura, pelo próprio professor.

Silas: Maravilhoso! Eu aceito, pois não tenho medo de perder.

Dr. Egret: Professor, o senhor está bem? O que acabou de ler? Esta parte é importante para a pesquisa e precisamos registrar…

Silas: Após o sumário, veio uma apresentação. O livro falou comigo!!! Que voz magnífica… ele vai expor todos os mistérios para mim… o que a arqueologia não pode responder, eu encontrarei aqui! E tem mais, muito mais! Tudo a seu custo claro, claro!!!

Dr. Egret: Professor pode ler em voz alta e clara essa “apresentação”?

Silas: Por que se prender a detalhes se a próxima pagina vai mostrar tantas riquezas meu amigo…

Dr. Egret: Você veio até aqui pra auxiliar em nossa pesquisa professor. Que verdades o livro promete? Qual o custo? Posso cancelar a qualquer momento o experimento se assim decidir professor, então por favor, colabore.

Silas: O que foi dito atrás, não pode ser exposto. Peço que confie em mim e me permita continuar.

Dr. Egret: Tudo bem. Por favor, prossiga.

Mais uma vez, Dr.Egret pediu para que tirassem uma série de fotos das páginas em questão, e o mesmo resultado foi apresentado novamente, as páginas estavam todas em branco.

Silas: Capítulo um… oras… o texto não está mais em português. Isso é…. isso á Árabe!

Dr. Egret: Consegue ler professor?

Silas: Sem problemas…

O professor continua sua leitura, descreveu sobre um manuscrito supostamente guardado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, conhecido sobre uma cidade que nunca foi achada… nenhuma informação importante fora mencionada.

Silas Espere… outra troca de idiomas, agora é… francês!
~~~~
Dr. Egret: Você pode recorrer a seu laptop não se esqueça.

Silas: Tudo bem irei para o segundo capítulo. Essa frase é… esta falando os nomes das pessoas que participaram da expedição… estão gravando?

Dr. Egret: Sim professor, gostaríamos que retornasse ao sumário para confirmar um dado que coletamos durante a aquisição do item, poderia voltar algumas paginas por favor?

Silas hesita um pouco, leitura facial em video indica talvez uma possível vontade de continuar sua leitura atual com medo em rever as páginas anteriores.

Silas: Capítulo II agora está presente no sumário. “A Grande Cidade” Quando foi escrito aqui?

Dr. Egret: Tudo bem professor, continue…

Silas: Esperem… tem coordenadas de onde fica o lugar… minha vista está ficando cansada…

Dr. Egret: Podemos dar uma pausa professor. Fique calmo. Não esqueça que você não está lidando com um livro comum, isso pode ser decorrência de exposição a longo prazo e…

Professor Silas parou de observar o livro e sua respiração ficou ofegante. Parecia estar passando por alguma espécie de emoção descontrolada, e dirigiu seus olhos para seu laptop. Começou a digitar rapidamente alguma coisa, a câmera posicionada atrás dele, gravou o que estava a escrever, mas não fazia sentido nenhum suas palavras. Então ele girou o corpo de volta para o livro e Dr. Egret achou melhor intervir.

Silas: Essa língua não existe! Dê-me as coordenadas, me dê as coordenadas!

Dr. Egret: Professor fique calmo, olhe para mim, feche o livro!

Silas: As palavras estão fugindo do livro e vindo até meus olhos… eu não consigo enxergar, alguém me ajude…

O experimento foi interrompido, e nenhuma confirmação visual das “palavras saindo do livro” foi confirmada. Professor Silas ficou internado fazendo vários exames, e embora sua visão estivesse perfeita no prontuário, ele alegava que estava vendo tudo um pouco desfocado, com algum tipo de miopia aguda. Ao final de cinco semanas, esqueceu todas as línguas que era capaz de falar e passou a falar apenas uma língua desconhecida. Atualmente está matriculado em uma escola de português, tentando reaprender seu idioma para poder se comunicar com sua família novamente.

Adendo IV/2███ Experimento III:
A Fundação selecionou um órfão portador de Síndrome de Down, para testar se o livro era capaz de ensinar alguma língua ao paciente de forma fluente. O paciente ainda não conhecia nenhuma língua, parecia interessado em SCP-036-PT mas o experimento se mostrou uma falha, ficando registrado que para o livro ativar suas propriedades anômalas, parece necessário que seja lido suas primeiras páginas. O agente que acompanhou o paciente de dentro da câmara de contenção foi examinado, e nenhum sintoma incomum foi constado, o que pode significar que o livro também não pode ser lido em duplas. (pesquisas futuras sobre esta condição é sugerido.)

Adendo V/2███ Experimento IV:
Selecionamos outro classe-D poliglota para um experimento, na tentativa de conseguir mais informação a respeito das propriedades incomuns de SCP-036-PT. Foi constado que o anagrama da capa estaria resolvido, embora a palavra formada, não era solução possível dos outros anagramas que o objeto mostrara anteriormente. A palavra em latim Conscidist estava escrito em vermelho na capa, e após o leitor conseguir chegar até metade do capítulo III, falhou em traduzir durante a troca de um idioma desconhecido e teve sua [REDIGIDO] arrancada, onde suspendemos o experimento e o sujeito foi conduzido a enfermaria. Sua [REDIGIDO] arrancada apresentou algum tipo de bactéria ainda não identificada pelo homem, que impede a regeneração da mesma, o que causou a perca total de sua capacidade de falar pelo resto de sua vida. Como “prêmio de consolação”, a história lida neste experimento, resolveu um caso de assassinato de Jundiaí/SP, onde a policia local teria arquivado o caso por falta de suspeitos.

revisão da página: 9, última edição: 02 Mar 2019 11:03
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