nn5n Foundation
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nn5n: scp-302-FR Fata Morgana
KeterSCP-302-FR Fata MorganaRate: 182
SCP-302-FR
mirage5.jpg

Uma instância de SCP-302-FR-3 tipo "Fata Morgana". Uma instância de SCP-302-FR-3 do tipo "Fata Bromosa" pode ser vista na extremidade direita, apresentando sinais de instabilidade na forma de buracos na face do objeto anômalo. Em acordo com o protocolo "Realidade Duplicada", a costa mais próxima, apesar de ainda estar distante do ponto de observação, foi designada como o ponto de origem da miragem.

Item nº: SCP-302-FR

Nível de Ameaça: Verde (anteriormente considerado vermelho )

Classe de Objeto: Keter

Procedimentos Especiais de Contenção: Todas as instâncias de SCP-302-FR-3 fotografadas por civis devem ser submetidas ao processos previstos no protocolo "Realidade Duplicada" (protocolado após a descoberta de SCP-302-FR-4), que consiste na modificação da(s) depicções pelo Departamento de Censura e Desinformação, adicionando um objeto, ou local "não-deformado" similar a instância de SCP-302-FR-3 (como uma costa, um navio, um penhasco, etc.) que racionalizaria uma fonte não-anômala da miragem. Nenhum tipo de amnéstico deve ser administrado nestes casos.

O protocolo deverá acompanhar uma campanha desinformativa sobre o fenômeno de "miragem", explicando-o como uma ilusão que aparece, e desaparece de acordo com a posição do observador. A utilização de documentos científicos que expliquem o fenômeno como uma miragem superior decorrente de correntes de ar quente, e ar frio sendo desviadas por um indíce refrativo1 para compreender e difundir desinformações em grande escala em websites que contenham imagens deste objeto anômalo, principalmente os que oferecem acesso gratuito, e substituindo-as por imagens adulteradas sob o protocolo "Realidade Duplicada".

Todas as instâncias de SCP-302-FR-3 devem ser reportadas para a equipe responsável por SCP-302-FR. Devido ao caráter da anômalia, contenção por confinando do objeto é impossível; atualmente a campanha de desinformação em progresso denominada "Vendo Além" visa impedir a aproximação e interação de civis com as instâncias anômalas. A campanha deverá explicar as miragens como ilusões que não devem ser perseguidas, ou aproximadas sob nenhum pretexto, contextualizando-as com uma natureza maliciosa. Visando desenvolver procedimentos de confinamento para contenção, visto que atualmente estes procedimentos não produzem qualquer efeito, uma petição para enviar uma expedição de pesquisa para estudar e entender o fenômeno denominado SCP-302-FR-2 está em processo de revisão.

Descrição: SCP-302-FR-1 é um par de tesouras douradas, cujas as propriedades anômalas foram neutralizadas. Antes da intervenção da Força-Tarefa Móvel Epsilon-18 "Les gardiens d'Avalon"2, a instância foi utilizada para criar uma fenda similar a um buraco de minhoca na realidade de Classe A. O ponto de abertura ocorreu nas falésias conhecidas como SCP-302-FR-2, o destino, aparentemente aleatório, do buraco de minhoca estava situado na mesma dimensão de origem da fenda de entrada. O buraco de entrada necessita de área com espaço amplo para se afixar, apenas grandes extensões de água (lagos, mares, oceanos), ou de terra (charnecas, planícies, desertos) com um diferencial de altitude de menos de 1 metro são elegíveis para acomodar o buraco de minhoca.

SCP-302-FR-2 designa uma dimensão que apresenta uma taxa de Humes3 substancialmente próxima a da nossa, anteriormente habitada por um número indeterminado de entidades inteligentes. A dimensão possuia a aparência de uma charneca escocesa envolto em bruma, localizada no ponto mais superior da, e se estendendo pela enconsta a cerca de 115 metros de altura. O ponto de entrada estava situado exatamente acima da borda da falésia. Os relatórios 302-FR-A, e 302-FR-B confirmam a presença de duas entidades com forma humanóide, uma qual possuia SCP-302-FR-1, utilizando o objeto para criar as instâncias de SCP-302-FR-3.

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Instância de SCP-302-FR-3 abaixo da linha do horizonte (tipo "inferior"), fotografado em ██/██/████. Esta ocorrência desapareceu antes dos pesquisadores civis serem capazes de fotografar o fenômeno completamente. Observadores podem perceber algumas rochas a margem da costa de SCP-302-FR-2.

mirage2.jpg

Instância de SCP-302-FR-3 acima da linha do horizonte (tipo "superior"). Uma imagem aparece em frente da costa (à esquerda) no horizonte.

Os objetos designados SCP-302-FR-3 são fragmentos de SCP-302-FR-2 que podem ser observados por indivíduuos que estão a uma distâcia de menos de vinte quilômetros do fenômeno anômalo. Geralmente, os sujeitos podem observar fragmentos de falésias, ou nos casos mais raros, objetos flutuando no céu. Indivíduos suficientemente próximos dos fenômenos são levados pelas violentas correntes de ar, e esmagados contra a encosta rochosa, se estarem tripulando um barco ou aeronave; em certos casos, indivíduos acabam se afogando ao atravessarem os buracos de minhoca.

As instâncias de SCP-302-FR-3 estão atualmente classificadas sob a designação de "miragens". Já que estes fenômenos compreendem apenas a reflexões de SCP-302-FR-2 causadas por SCP-302-FR-4.

Estas instâncias são classificadas em quatro categorias:

  • Inferior : O fenômeno SCP-302-FR-3 permite observar a extensão d'água que permeia sua encosta, mas não a falésia;
  • Superior: O fenômeno SCP-302-FR-3 permite observar a extensão do topo das falésias, como se estivessem numa altura considerada levemente acima do normal no horizonte;
  • Fata Morgana4: SCP-302-FR-3 permite observar as falésias, e extensão d'água que acompanha e enconsta. Fenômeno resultado da abertura do buraco de minhoca por SCP-302-FR-1;
  • Fata Bromosa5: SCP-302-FR-3 permite observar falésias deformadas. Esta instância do fenômeno é extremamente rara, e é teorizado que ocorre em conta de um mal-funcionamento temporário de SCP-302-FR-1, onde o objeto produz uma fenda, de classe-C ou inferior.

SCP-302-FR-4 é análogo a um espelho de dupla face. Cada face reflete uma depicção do lado que está sendo observado, por exemplo, um arbusto situado num vaso na primeira face será refletido na segunda face, e uma árvore situada num vaso na segunda face será refletida na primeira face. Esta característica leva a crer que é possível que os fragmentos refletidos de SCP-302-FR-2 são modificaveis. Estes objetos não são mais considerados como passagens de buraco de minhoca, mas simplesmente como reflexos parciais dos fragmentos de SCP-302-FR-2. Estas instâncias são conhecidas como as miragens que desaparecem quando um objeto "foge", ou deixa o campo passível de reflexão.

mirage3.jpg

Instância de SCP-302-FR-3 do tipo "Inferior", numa gravura do século XIX. Os barcos navegando foram adicionados de acordo com o protocolo "Realidade Duplicada".

Descoberta: Durante uma perseguição ocorrida em 1941 entre o navio Bismark e dois cruzadores de batalha britânicos no mar da região da Dinamarca, quando o navio súbitamente desapareceu no horizonte, reaparecendo em meio aos dois cruzadores, em rota de colisão, forçando ambos a realizar manobras evasivas. Após relatos do evento, as filiais francofonas da Fundação decidiram iniciar estudos relacionados á fenômenos de miragens visuais.

Testemunhos, dos tripulantes do navio Bismark sugerem que o navio continuaria sua rota, corroborando com as informações obtidas pelos radares britânicos, porém, a tripulação não reconheceu a região do mar em que estavam após terem entrado na zona anômala do objeto; alguns tripulantes mencionaram penhascos, e fortes ventos que aceleravam as correntes marítimas navegadas pelo Bismark, e que o navio conseguiu manobrar para fora da zona anômala devido a um golpe de sorte, surpreendendo os cruzadores britânicos que não haviam chego à miragem a tempo de serem afetados.

Durante o desenvolvimento de pesquisas, a Fundação recuperou uma gravura do século XIX (anexada neste documento, no entanto, devido a falta de conhecimento científico na época em que a gravura foi modificada sob o pretexto de desinformação, vários pesquisadores foram capazes de apontar discrepâncias visuais entre o porte do barco anexado (à direita) quando comparado com a miragem, fato dissimulado pela Fundação como sendo um erro artístico devido a imprecisão dos cientistas da época.

A aquisição da gravura permitiu a Fundação deliberar que durante o século XIX, o fenômeno já estava ativo, e consequentemente, possuia uma população também ativa.

Após a Sétima Guerra Oculta6, a Fundação utilizou um navio de guerra japonês re-apropriado para expedições nas áreas onde os casos de SCP-302-FR-3-Fata Morgana apresentavam mais atividade.

Anexos

15/7/1950 durante a chegada do navio ao ponto de interesse: O navio chegou de noite na região do Golfo de Morbihan. Não somos muito discretos, portanto só podemos torcer para que os nativos não estejam acordados a esta hora da noite. De qualquer modo, o fenômeno da miragem irá acontecer durante o amanhecer, se é que acontecerá, e quando acontecer, desapareceremos rapidamente. Eu só espero que esta carcaça velha não nos afunde com ela, visto que ela range por todos os lados; mal consigo dormir.

16/7/1950 ao amanhecer: A tripulação se levantou com o Sol, logo antes das seis da manhã. O objeto de interesse pode aparecer a qualquer momento. Os britânicos farão um escândalo se nos verem neste navio. Mas a Fundação não teve escolha, a guerra foi árdua, e quase não temos equipamento sobrando; ter qualquer equipamento a nossa disposição já é um luxo, mesmo sendo este ferro-velho.

16/7/1950 no momento da aparição do fenômeno: O fenômeno acabou de aparecer; as correntes estão se tornando mais fortes; os relatos sobre uma falésia e a maré de aparência calma eram verdade. Com todo este movimento, acho que vou vomitar.

Nota: O professor verificou as minhas anotações e me repreendeu, dizendo que eu só deveria anotar as coisas relevantes a exploração, mas eu não consigo me conter! Eu mal consigo saber o que é importante, ou não. Felizmente, eu consigo escrever mais rápido do que o indivíduo comum, se não fosse por isso, disse ele, eu já teria sido enviada de volta para casa.

17/7/1950 ao amanhecer: Bem. Apesar de eu ter toda a boa vontade existente do mundo, não consegui escrever enquanto eu estava mareiada devido ao movimento errático do navio na maré. Resumindo, nós batemos contra a face rochosa da falésia. O navio está em mau estado, mas conseguimos encontrar um caminho ao longo da encosta até o topo do penhasco. Chegamos numa charneca repleta de ventos, e bruma. O local me faz lembrar da Escócia. Não sabemos como, e quando poderemos voltar, mas enquanto está questão permanece sem solução, decidimos explorar, para depois entrarmos em pânico.

17/7/1950 à noite: Enquanto nós caminhávamos pela costa, avistamos uma velha casa de madeira repleta de rachaduras, e rangidos. Um garoto, aparentemente pobre, foi observado do lado de fora, brincando com uma tesoura dourada, provavelmente um tipo de brinquedo, e o único que ele tinha. Ele nos cumprimentou com um francês perfeito, o que nos surpreendeu. O garoto então nos levou para dentro da casa, habitada por um idoso que parecia estar enfermo; o homem também sabia falar francês.

  • Entrevistador: Professor Léon (De agora em diante designado PL).
  • Entrevistado: Idoso (De agora em diante designado I).

PL: Quem é você, e onde nós estamos?

I: Eu sou apenas um homem velho tentando ser respeitado pelo meu próprio filho. Sobre onde nós estamos, receio que esta seja uma questão retórica bem ampla.

PL: (Após alguns segundos em silêncio) Certo, se você diz. Além de vocês dois, mais alguém habita este mundo?

I: Eu já sou velho, dois séculos não me representam mais que uma piscadela. Não posso dizer muito sobre meu filho, ele é um garoto tão jovem e impaciente. Receio de não ser uma companhia muito boa para ele. Mas, se vocês não se importarem, eu gostaria de descansar um pouco.

Nós saímos da casa, indo em direção ao garoto que agora estava sentado a beira do penhasco em frente a morada, ainda segurando a tesoura. Os agentes nos acompanhando se dispersam para investigar o perímetro, enquanto eu continuo acompanhando o professor.

  • Entrevistador: Professor Léon.
  • Entrevistado: Garoto (De agora em diante denominado G).

PL : Como você se chama?

G : Eu não sei.

PL : Você sabe a sua idade?

G : Não sei. Talvez cinco anos?

O garoto parecia mesmo ter cinco anos. Ele contou com os dedos de uma de suas mãos até cinco.

G: (Após um momento de silêncio) Ou trezentos? Ah, não, já sei! Quinhentos e quarenta e dois!

PL : Você está brincando comigo, não está?

G: Nah. Eu realmente não sei. Sou apenas uma criança que não quer crescer, sabe? Enquanto os adultos têm de ser sérios, nós ainda podemos nos divertir! Mas ninguém quer brincar comigo ultimamente.

PL: Aquele homem na casa é seu pai?

O garoto simplesmente dá de ombros.

PL: Como você aprendeu a falar nosso idioma?

G: Eu assisto as imagens do mundo de onde você veio, e aprendo. O idoso disse que eu consigo aprender coisas fácilmente pois eu tenho um cérebro de criança! Eu sempre tive um cérebro de criança, e é bom de mais!

O garoto corta o ar usando as tesouras, e as imagens mencionadas aparecem na nossa frente, acima do horizonte observado da falésia.

G: Cortar! Cortar! Cortar!

PL : O que você está fazendo?

G: Estou cortando! Cortando! Cortando!

O garoto para de se comunicar conosco e continua cortando o ar a sua frente com o par de tesouras. Eu parecia ser capaz de observar uma espécie de véu em nossas frentes passando ligeiramente sob as falésias e se lançando aos céus. As imagens borradas parecem deslizar sobre o véu, se tornando nítidas com o passar do tempo. O garoto grita "Cortar!" por uma última vez, e então dispara ao longo da costa. O professor tenta perseguir o menino, mas eu acabo impedindo-o. As imagens parecem estarem se tornando reais; no figmento conseguiamos observar uma extensão arenosa se formando sobre o mar, sendo utilizado como estrada por um veículo que estava tentando escapar de uma tempestade de areia.

O garoto grita: "Um novo amigo! Um novo amigo!"

Sem perceber a existência do objeto anômalo, o veículo acaba entrando na zona de efeito de SCP-302-FR, e enquanto seguia em frente, acaba por cair na água, [REDIGIDO].

18/7/1950: Eu preciso me acalmar. Aquilo foi horrível. O veículo continuou em nossa direção e por pouco que quase rolou em cima de nós. Devido a distância eles acabaram caindo no mar, e foram submersos presos dentro do carro. Creio que estejam mortos. O garoto apenas deu um suspiro de desapontamento e voltou para casa. Eu pensei que aquilo na mão dele era um brinquedo, mas agora compreendo que aquela tesoura é muito mais perigosa. É o objeto que cria estas miragens!

Retornamos ao interior da casa, aonde encontramos novamente o garoto, e o idoso, que parecia estar extremamente apologético, e entristecido.

Eu: Por que ele está fazendo aquilo?

I: Ele se sente só. Antes, ele tinha companhia muito melhor do que a minha. Não foi ele que começou a causar as miragens, mas sim mulheres que se divertiam atormentando os homens. Elas eram conhecidas como fadas da neblina. Uma delas se chamava Morgana, e creio que vocês a conhecem, de certa forma. Mas, agora, restaram delas apenas as tesouras, e a esperança do meu filho de que algum dia mais pessoas virão.

Eu: Mais pessoas? Nós já estamos aqui!

I: Vocês já se tornaram deveras desinteressantes para ele, são adultos, são sérios. Vocês vieram para estudar este local, e não para brincar com ele. Ele os acha tão banais quanto eu.
De repente, eu começo a ouvir gritos chorosos de uma criança. O garoto corre para dentro da casa, e se joga em meus braços, tentando ser apaziguado. O professor chegou logo em seguida, com a tesoura em mãos, dizendo que é imprescindível entregarmos o objeto a custódia da Fundação. Eu observo o garoto, ainda chorando devastado, em meus braços. O idoso nos informa sucintamente de que o garoto não vai parar até lhe entregarmos o objeto novamente; o professor assegura-lhe de que o temperamento e sentimentos da criança não serem nossos problemas.

Eu mal consigo escrever devido ao garoto se sacundindo em meus braços.

19/7/1950: A criança continuava a chorar, como o Idoso havia mencionado. Os agentes voltaram, sem terem encontrado qualquer objeto relevante, ou interessante. O local possuía apenas uma vasta florestas, algumas ruínas de casas, e castelos. Este local parecia ser atualmente apenas a sombra do que um dia havia sido. Um dos agentes tentou operar o rádio, mas sem sucesso devido a quantidade absurda de intereferência. O professor deliberou sobre, e decidiu usar a tesoura para criar uma passagem para as ondas de rádio, visto a falta de opções, só nos resta esperar que isto funcione.

21/7/1950: O garoto continua chorando; seus berros estão nos fazendo perder a cabeça, inclusive, e especialmente eu!

Eu não aguento mais.

Finalmente conseguimos estabelecer contando com os rádios de comunicações graças a fenda gerada pela tesoura. A criança parou de chorar quando notou a existência da abertura, e ficou esperando em frente a passagem, saltitando impacientemente, porém quando o garoto percebeu que não havia ninguém do outro lado, ele recomeçou a chorar.

Nós comunicamos as coordenadas à Fundação; eles chegarão em cinco horas. Quanto mais rápido deixarmos este lugar, melhor.

22/7/1950, três horas após criarmos a fenda: Eu já me imagino fugindo deste local, mas quando eu olho para o idoso, eu me sinto culpada. Ele ficará aqui sozinho com uma criança que se lamentará dia e noite. Conversando com o homem, pergunto-lhe se há outra maneira de fazer a criança feliz novamente. Ele responde que sim; existe um espelho na floresta, com propriedades estranhas, que era usado pelas Fadas da Névoa para enganar os homens sem necessariamente matá-los diretamente, mas, me informa que o artefato está num local que a criança têm medo de ir, e está longe demais para o idoso ir.

O professor se recusa a aceitar o pedido; a criança não faz nada alem de chorar e soluçar.

Três horas mais tarde, uma nova fenda foi formada a fim de abrir passagem ao navio de resgate; uma embarcação um pouco mais nova e blindada do que a nossa. Eu já não tinha mais tempo para ir atrás do espelho mencionado pelo idoso.

23/7/1950: Eu peguei um dos rádios dos agentes, e enviei desesperadamente uma mensagem para a Fundação, pedindo apenas mais um dia naquele lugar. O professor partiu com o navio de resgate, dizendo que não haveria hesitação em abandonar qualquer um que ficasse para trás. Dois agentes ficaram comigo neste mundo, um mantendo um rádio, e o outro, a tesoura. A Fundação nos deu dois dias, o mesmo local de encontro. Exatamente dois dias. Se não estivéssemos ali para voltar, seriamos considerados como mortos. Os agentes me asseguraram de que a floresta não estava muito longe, e que nossa missão seria completada com tempo de sobra.

A Força-Tarefa Móvel Epsilon-18 foi fundada neste momento.

A data é 23 de julho de 1950. Eu decidi trocar de caderno para marcar o intervalo entre as anotações, visto que nossa missão mudou. Temos dois dias para encontrar um espelho, e espero que ocorra tudo bem.

Saímos imediatamente, não queremos perder tempo. Felizmente, uma hora neste mundo conosco, é uma hora lá fora. Temos 47 horas restantes para concluir a missão.

Estamos nos dirigindo até a floresta. O garoto, ainda chorando, ficou na casa com o idoso. O pântano continua nebuloso. Nós nos deparamos com algumas ruínas, e rochas íngremes sem qualquer formato relevante. O agente resguardando a tesoura é o nosso guia, e orientador. Espero que consigamos nos manter no caminho correto.

Faltam 45 horas, e nenhum sinal da floresta. O agente nos assegura de que o local não está muito longe.

Nós finalmente chegamos na fronteira da floresta após mais uma hora de caminhada. As árvores são muito altas, e a floresta é muito escura. Nós paramos perto das ruínas de uma torre de vigia se esticando em frente a floresta, bebemos água e adentramos a floresta.

40 horas restantes. O agente resguardando a tesoura se sente desconfortável. Levamos três horas para chegarmos à floresta, e ficamos durante mais três horas no seu interior; num total de seis horas para voltar. Temos apenas 34 horas restantes. Estou com medo, mas o agente levando o rádio nos garante que não estamos andando em círculos.

39 horas. Nada ainda.

38 horas, idem.

36 horas.

O agente carregando a tesoura começou a voltar, dizendo que ia nos esperar em frente a casa do idoso, no ponto de encontro. Eu não o culpo, ele tem uma família esperando por ele lá fora.

São necessárias 16 horas para regressarmos.

29-17.

27-19.

23-21.

Mais uma hora e estaremos mortos. E eu que carreguei estes dois agentes comigo. Esta floresta não tem fim! Eu disse ao outro agente para se juntar ao primeiro. Ele aceitou, aliviado. Afinal de contas, fui eu quem requisitou esta missão, não eles, se alguém tem que pagar o preço, sou eu.

Eu consigo ouvir o som do mar.

22-22.
Estou definitivamente condenada. Me encontro a beira da falésia. A brisa do mar agitado me refresca, se for para morrer, não irei morrer perdida numa floresta. Eu me viro, percebendo algo de relance. A algumas centenas de metros à distância, numa terra saliente ao mar, observo um conjunto de monólitos, um pouco parecidos com a Stonehenge, e disparo em direção ao local.

[DADOS EXPURGADOS]

Estou á bordo do navio, creio que estou segura agora. Vou recontar todos os eventos ocorridos um por um.

Eu disparei em direção à construção. Dentro do círculo de pedras havia uma base, com o espelho sobre ela; um objeto de duas faces. Parecia que eu estava sonhando, mas eu sabia que aquilo era extremamente real. Agarrei o espelho sem pensar duas vezes. Eu tinha 21-23, quase perdendo as esperanças. Eu comecei a correr até ficar sem fôlego, pensando ser capaz de reganhar as horas perdidas. Me encontrei na orla da floresta, no local onde paramos perto da torre, agradavelmente surpresa por ter consigo chegar até alí em apenas três horas. Este mundo parecia estar repleto de truques como este, que desnorteiam a sua percepção, parecia que tudo era feito a fim de lograr quem quer que caminhasse por aqui. Eu encontrei a tesoura, e o rádio em cima de uma das pedras da torre.

Eu finalmente caminhei de volta a casa, á passos largos, observando os arredores a cada momento. Quando eu cheguei no local, estava completamente sem fôlego. Eu entrego o espelho para o garoto, que troca olhares entre meu rosto, e o objeto com certa desconfiança. O idoso me assegura de que o garoto irá se acostumar com o novo brinquedo dado certo tempo. Pelo menos ele parou de chorar.

À medida em que as horas se passavam, eu olhava para o mar ansiosamente; ambos os agentes ainda não haviam chego aqui, apesar de eu ter readquirido os objetos deles. Estava na hora de voltar. Comecei a acreditar que nunca os veria novamente. Uma certeza que me entristecia profundamente. Eu relutantemente utilizei a tesoura para cortar um tipo de véu que separava os dois mundos. Eu senti uma presença atrás de mim, era o idoso mancando em direção ao meu lado para observar o véu aberto.

I: Não posso lhe agradecer suficientemente pelo que você fez por nós. É raro os humanos estarem dispostos a fazer coisas por pessoas que eles mal conhecem.

Era verdade que não entendia o que me levou a ficar aqui. Não era apenas o sentimento de culpa, mas algo que estava além de mim, talvez algo adormecido que estava apenas esperando para acordar?

Eu: Obrigada… Mas, e quanto aos dois agentes?

I: Eles não cumpriram suas promessas, e aqueles que não fazem o possível para cumprir suas missões, estão condenados a ficarem perdidos para sempre naquela floresta. O local adora enganar pessoas.

Eu: (após alguns segundos de silêncio) Isto é… horrível. Fui eu quem os arrastou nesta missão, eles tinham uma família, um futuro …

I: Os humanos vivem e morrem, é o ciclo natural. Você não precisa se entristecer. Eles estão num lugar digno de inveja, se você ao menos soubesse onde é. Você vai reconhecê-lo em algumas décadas.

Eu: Eu entendo… Pelo menos o espelho está seguro aqui, creio eu. Você pode viver o que lhe resta sem se preocupar com a alegria de seu filho.

I: É, meu filho pode finalmente se divertir sem arriscar a vida dos outros. Ele continuará a enganá-los, criando truques, mas pelo menos as pessoas estarão seguras.

Eu: É um alívio.

A passagem finalmente se abriu.

Eu: De qualquer forma, esta ilha é deveras estranha.

I: Ilha? Sim, talvez após tudo isto… este local realmente seja uma ilha à deriva aos confins dos mundos.

Eu me despeço rápidamente ants de partir.

No navio, um agente especializado em desinformação e censura me pede para relatar o que aconteceu, agora seria necessário desenvolver uma nova campanha de desinformação, outro procedimento de contenção. Ele coçou a barba intrigado enquanto ele ouvia a estória do espelho. Após eu ter terminado meu relato, o rosto do homem iluminou-se; aparentemente, ele havia pensado em algo. Estou ainda mais aliviada.

De repente, após navegamos por uns bons dez minutos, uma miragem apareceu à nossa frente. Uma instância do objeto que viria a ser denominado SCP-302-FR-3 tipo "Fata Morgana", simplesmente lindo. No entanto, a instância desapareceu rapidamente à medida que avançamos a frente da miragem. Creio eu, que aquele garoto certamente amou seu novo brinquedo.

revisão da página: 11, última edição: 01 Jul 2018 07:31
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